PROTESTO OCORREU ONTEM PELA MANHÃ
Duas demandas unem representantes de
religiões de matriz africana: a presença da deputada estadual Regina
Becker Fortunati (PDT) em debate sobre condições de animais e a queima
da estátua de Iemanjá no Balneário dos Prazeres, em Pelotas.
A vinda da política não está atrelada ao seu projeto de lei (PL), em
proibição do sacrifício de animais em cultos de devoção, contudo, os
africanistas pretendem deixar acesa a discussão em torno do PL. Eles
questionam o que motiva o documento e, em ambas situações, argumentam
intolerância religiosa.
Fiéis das religiões de terreiro, como
umbanda, quimbanda e nação, reivindicaram sua insatisfação diante do
cenário. Eles associam o PL à discriminação racial. Caracterizados,
cantaram músicas em manifestação de sua fé, em frente à Câmara de
Vereadores. Já por volta das 10h de ontem, o grupo aguardava a
pedetista, que chegaria à tarde. Regina está participando do Encontro
Regional Sobre Condição Animal, que começou ontem e ocorre ainda hoje na
Casa Legislativa. Ivan Duarte (PT), um dos proponentes do encontro,
enfatizou que o tema não engloba religião.
"Não estamos aqui para
hostilizar a deputada, pelo contrário, queremos mostrar que nosso
movimento é pacífico", defendeu a religiosa Patrícia Pontes, 42, durante
a mobilização.
Na ocasião, o presidente da Federação
Sul-rio-grandense de Umbanda e Cultos Afro-brasileiros, Joabe Luís
Buhns, esclareceu que os animais sacrificados nas cerimônias não sofrem
maus-tratos, pois para a crença ser respeitada eles devem ser saudáveis.
"As religiões africanas se utilizam das forças da natureza, portanto,
nós prezamos pelos cuidados a ela", alegou. Buhns ainda ressaltou que os
animais são consumidos após os rituais em homenagem aos orixás. Após o
encontro em frente à Câmara, os religiosos lavaram as escadarias do
prédio da prefeitura.
INFORMAÇÕES: RENATA GARCIA
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