FOTO: PAULO ROSSI
PESCADOR KLEBER FREITAS DIZ:"O QUE GANHAMOS COM A PESCA JÁ É BEM POUCO"
Sob a pele avermelhada do sol, a perda do Bolsa-Família - em vigor desde 1º de abril - também incomoda Michel Freitas.
O pescador de 33 anos sustenta a casa em
que mora com a esposa Ana Paula, 37, e o filho Alisson Miguel, de
quatro anos. Com os olhos baixos, o trabalhador de poucas palavras
menciona que os R$ 112,00 que chegam do Bolsa Família são destinados à
compra de fraldas e roupas para o pequeno. "É pouco, mas quebra o
galho".
Enquanto desembaraça redes, seu irmão
Kleber Freitas, 33, lamenta perder o benefício, apesar de poder contar
nos próximos quatro meses com o seguro-defeso - R$ 788,00.
Desde criança, a dupla pesca. "É a única
coisa que sei fazer", destaca Kleber, que é casado e pai de três filhos
com idades de 15, oito anos e 11 meses. Vem da pesca todo o sustento
que ele e a esposa Liane, 34, dispõem. "Me preocupo com o que vai ser
daqui pra frente, porque a gente já ganha bem pouco", desabafa, em
referência às MPs 664 e 665.
Apesar de ainda ter pouca informação
sobre as modificações, Joceli Oliveira, 51, demonstra decepção. Seus
dois filhos, de 11 e 12 anos, são alimentados e vestidos com os R$
135,00 do Bolsa Família. "A gente também compra muito brinquedo com o
dinheiro", complementa.
Há 20 dos 30 anos que mora na Colônia
Z-3, ele pesca. Apesar da carga que o tempo vem trazendo, é outro que
não pretende sair do ramo. "A vida de pescador é complicada, mas é o que
tem".
INFORMAÇÕES: RENATA GARCIA
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