terça-feira, 14 de julho de 2015

NÚMERO DE PESSOAS A ESPERA DE EXAMES E CONSULTAS EM PELOTAS CHEGA A 51 MIL

As solicitações médicas da rede são encaminhados à Central de Regulação (Foto: Paulo Rossi - DP) 
FOTO: PAULO ROSSI
CENÁRIO NÃO TEM SOLUÇÃO A CURTO PRAZO
 
Mais de 51 mil pessoas amargam na fila, à espera de consultas médicas especializadas e exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Pelotas. Só para atendimento com ortopedista e traumatologista, a lista ultrapassa os 6,7 mil pacientes. E acredite: no final do ano passado, o panorama era ainda pior. Os dados - relativos aos primeiros quatro meses de 2015 - integram o último relatório encaminhado pela Prefeitura ao Conselho Municipal de Saúde e escancaram uma certeza: não há solução a curto prazo.

Sem margem financeira para melhorar os preços pagos aos quatro hospitais com que tem contrato, a Prefeitura se vê espremida em um corredor estreito. De um lado, não existe qualquer perspectiva de reajuste na tabela do SUS, defasada há mais de uma década. De outro, muitos especialistas fogem do trabalho vinculado à saúde pública, em que precisariam realizar pelo menos 20 consultas para acumular - R$ 200,00 - o que ganham com um único atendimento no consultório particular.

É o assunto que o Diário Popular traz entre esta terça-feira (13) e quarta; 13 dias depois de apresentar Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com portas fechadas no horário de expediente e a luta da comunidade para garantir fichas, independentemente das baixas temperaturas da madrugada. São relatos que passam por angústia e escracham a impotência de quem depende do SUS para ter acesso ao tratamento com especialistas. É uma espera, muitas vezes, sem dia certo para acabar. Restam orações, lágrimas e um longo apelo para o atendimento chegar a tempo.

E, embora representantes do governo sustentem que a demanda reprimida não envolve situações de urgência e emergência, em muitos casos, a disputa - ainda que não se saiba - pode ser contra a velocidade da morte. Só os diagnósticos, sem data para ser concluídos, irão dizer.

 A posição do Conselho de Saúde
 
O presidente em exercício, Márcio Torma, destaca o papel da entidade, que pode servir de intermediador, principalmente, no começo de cada ano, quando a nova contratualização de todos os serviços que serão prestados entra em debate. “Queremos sempre entender se é a demanda que está aumentando ou se a oferta é que é mínima para um determinado serviço”, ressalta. O objetivo é apenas um: corrigir distorções para qualificar a saúde pública.

INFORMAÇÕES: MICHELE FERREIRA/DP

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